IRU alerta para corte de 5 mil milhões de euros no fundo europeu que paga parques seguros e carregadores para camiões
A presidência irlandesa do Conselho da UE propõe, no quadro financeiro 2028-2034, um envelope de transportes do Connecting Europe Facility (CEF) cerca de 5 mil milhões de euros abaixo da proposta da Comissão. A IRU avisa que a verba já é insuficiente para a procura atual — incluindo corredores transfronteiriços, parques seguros e eletrificação usados por quem sai de Portugal.
A IRU (União Internacional de Transportes Rodoviários) tornou público, a 14 de outubro, que o rascunho de compromisso da presidência irlandesa do Conselho da UE para o próximo quadro financeiro plurianual (2028-2034) reduz em cerca de 5 mil milhões de euros a parte de transportes do Connecting Europe Facility (CEF) — o fundo que cofinancia corredores transfronteiriços, estações de carregamento para veículos pesados e parques de estacionamento seguros e vigiados, segundo o trans.info.
Os números
A Comissão Europeia tinha proposto, em julho de 2025, 51,5 mil milhões de euros para transportes e mobilidade militar dentro do CEF. O compromisso da presidência irlandesa reduz o total do orçamento da UE proposto pela Comissão em 8% — e, segundo a IRU, essa redução recai com peso especial sobre a parte de transportes. O setor do transporte rodoviário já tinha pedido, em fevereiro de 2026, junto com outras 44 organizações europeias, pelo menos 100 mil milhões de euros para o próximo período do CEF — o dobro do valor agora em risco de ficar ainda mais reduzido.
A diretora da IRU para a UE, Raluca Marian, disse lamentar “esta intenção” e sublinhou que a Europa precisa de um investimento sustentado que os orçamentos nacionais, isolados, não conseguem garantir. Segundo a organização, a procura por financiamento do CEF já excede os fundos disponíveis — um orçamento menor alargaria essa diferença, não a resolveria.
O que está em jogo para quem sai de Portugal
O CEF cofinancia precisamente as infraestruturas que mais pesam no planeamento de uma rota internacional a partir de Portugal: os corredores transfronteiriços da rede TEN-T (onde se inserem os acessos por Espanha), a eletrificação de postos para veículos pesados e, sobretudo, os parques de estacionamento seguros e vigiados — a escassez destes parques na Europa é um dos problemas mais citados pelos próprios condutores profissionais. Um corte na dotação torna mais lenta a expansão desta rede nos próximos anos, nos corredores que ligam a Península Ibérica ao resto do continente.
Próximos passos
O quadro financeiro plurianual ainda tem de ser negociado por unanimidade entre os Estados-membros e aprovado pelo Parlamento Europeu — os números podem mudar antes de uma decisão final. A 15 de outubro, a IRU e a associação irlandesa do setor reuniram-se já com o ministro de Estado irlandês para os Transportes, Sean Canney, para discutir o dossiê, juntamente com os custos do combustível e a regra europeia em preparação para obrigar ao pagamento do transporte em 30 dias civis sem exceções.